A primeira aula.


Seguindo as ordens do director, fui assistir à aula de uma das voluntárias. Era uma turma de crianças pequenas onde se ensinava o alfabeto - vim a saber mais tarde que era a turma mais difícil da escola.


As crianças eram irrequietas e não paravam um segundo, andavam de um lado para o outro e só pediam doces.


Com tanta agitação, um dos mais velhos da turma gerou o caos na sala, deu-lhe para fingir que tinha vontade de vomitar - segundos depois dei por mim a ver metade da turma a provocar o vómito e a correr para o balde! Sujaram tudo, alguns nem ao balde chegaram.


Fizeram aquilo para chamar a atenção, faziam cara de doentes para mim e riam-se para o lado. - Mais um choque. - Fiquei parada a olhar para aquilo e encostei-me à parede, um pouco enjoada e com vontade de voltar para casa.

A hora de almoço chegou, fui para o quarto e dormi três horas. Abdiquei da refeição em prol do descanso.

O dia continuou com mais aulas, as turmas foram surpreendendo pela positiva e já cheguei ao fim do dia a perceber que não eram todos assim.

Acabei a dar duas aulas sozinha, a crianças e adolescentes. Sem nada preparado, dei o meu melhor e correu bem.

Chegou a segunda noite, fizemos o jantar em casa e comi o suficiente para não ter fome durante algumas horas. A comida era uma réplica do que tinha experimentado no mercado, mas desta vez feita na cozinha da casa - o que para mim, não mudava muito.

Mal entrei no quarto, senti-me à vontade para chorar tudo o que não pude chorar durante o dia.


Quebrei o silêncio e pedi à minha irmã que fosse ao skype. Falámos durante muito tempo, até já conseguir ligar à minha mãe e falar com toda a gente da família. Encontrei a força que só as pessoas que mais amamos nos conseguem transmitir.

Mais serena, adormeci com o coração calmo e com a certeza de que tudo se resolveria.


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